Um acidente envolvendo a montanha-russa Goliath, no parque Six Flags Over Georgia, nos Estados Unidos, deixou um homem morto e outras pessoas feridas na última segunda-feira (12/10), segundo informações da polícia do condado de Cobb. Localizado a aproximadamente 24 quilômetros de Atlanta, o parque interrompeu as atividades após a ocorrência, que também deixou passageiros presos nos carrinhos durante a operação de resgate.O episódio levantou questionamentos sobre os mecanismos de segurança utilizados em atrações de alta velocidade e sobre como a engenharia busca impedir acidentes em equipamentos que submetem os visitantes a forças extremas.CONTEÚDO RELACIONADOMais de 100 pessoas tiveram lesões cerebrais em montanha-russaJovem perde movimentos em montanha-russa; caso é investigado pelo MP"Efeito chicote": quais lesões uma montanha-russa pode provocar?O QUE ACONTECEU NA MONTANHA-RUSSA GOLIATHAs circunstâncias exatas da tragédia ainda são investigadas pelas autoridades. Até o momento, a polícia não divulgou a identidade da vítima nem confirmou o que provocou o acidente. Relatos de testemunhas à imprensa local indicam que um homem teria caído durante o percurso e atingido partes da estrutura da atração.Enquanto as equipes de emergência trabalhavam no local, os demais passageiros permaneceram nos carrinhos até que fosse possível realizar a evacuação. O parque encerrou as atividades naquele dia.Quer mais notícias de ? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Em comunicado oficial, a Six Flags manifestou pesar pela morte do visitante e prestou solidariedade aos familiares e amigos. "Estamos profundamente tristes com o incidente envolvendo um visitante em nosso parque hoje. Nossos pensamentos e sinceras condolências estão com a família, os amigos e os entes queridos do visitante", declarou a empresa.Inaugurada em 2006, a Goliath é uma hiper montanha-russa com 61 metros de altura e velocidade máxima de aproximadamente 113 km/h. O percurso inclui duas quedas superiores a 50 metros, além de trechos nos quais os passageiros experimentam forças de até 4 G - equivalentes a quatro vezes o peso do próprio corpo.A combinação de altura, velocidade e aceleração faz da atração uma experiência radical. Entretanto, por trás dessa sensação de risco existe um conjunto de cálculos, mecanismos e procedimentos desenvolvidos para manter os passageiros protegidos.ENGENHARIA CALCULA RISCOS ANTES DA INAUGURAÇÃOO desenvolvimento de uma montanha-russa começa muito antes de sua abertura ao público. Engenheiros precisam dimensionar cada trecho da pista, avaliar a resistência dos materiais e calcular os efeitos da aceleração, da frenagem e das forças G sobre os passageiros.Modelos computacionais permitem simular uma grande variedade de situações, ajudando a identificar possíveis problemas ainda na fase de projeto. Segundo referências acadêmicas da Buckinghamshire New University, a construção dessas atrações envolve conhecimentos de física, ciência dos materiais e fatores humanos, com o objetivo de proporcionar emoções intensas sem ultrapassar os limites de segurança estabelecidos.Além disso, existem normas técnicas que orientam a fabricação e a operação dos brinquedos. A ASTM International, organização responsável pela elaboração de padrões técnicos, estabelece requisitos aplicáveis a diferentes aspectos desses equipamentos, incluindo estruturas, sistemas de contenção e componentes mecânicos.Um estudo da Universidade de Wisconsin sobre a engenharia de montanhas-russas destaca a abrangência dessas avaliações. Os profissionais precisam considerar a pista, a fixação das estruturas ao solo, as forças envolvidas no movimento dos carrinhos, os trens utilizados e os dispositivos que mantêm os passageiros presos aos assentos. Esse planejamento reduz os riscos, mas não elimina a necessidade de inspeções, manutenção e investigação sempre que uma ocorrência foge do esperado.SENSORES INTERROMPEM O PERCURSO QUANDO DETECTAM IRREGULARIDADESUm dos principais recursos de segurança das montanhas-russas modernas é o chamado sistema de blocos. Nesse modelo, a pista é dividida em segmentos monitorados por sensores e sistemas de controle que acompanham a posição dos trens. Antes de permitir que um carrinho avance para determinado trecho, o sistema verifica se a seção seguinte está livre. A lógica impede que dois trens ocupem simultaneamente espaços incompatíveis com a operação segura da atração.Caso os sensores identifiquem uma condição fora dos parâmetros previstos, o sistema pode interromper o funcionamento do brinquedo. Por isso, uma montanha-russa parada no meio do percurso não significa necessariamente que ocorreu uma falha: em determinadas circunstâncias, a interrupção é justamente a resposta esperada do mecanismo de proteção.Os passageiros podem precisar aguardar uma equipe especializada para sair dos carrinhos, principalmente quando estão em pontos elevados ou em locais sem acesso direto às plataformas de embarque.No caso da Goliath, porém, a investigação deverá esclarecer a sequência de acontecimentos que levou à morte do visitante. Será necessário determinar se os sistemas funcionaram como previsto e se houve alguma falha mecânica, operacional ou relacionada a outras circunstâncias.TRAVAS E MECANISMOS REDUNDANTES PROTEGEM OS PASSAGEIROSOutro elemento importante é o sistema de retenção dos assentos. Muitas montanhas-russas utilizam barras de segurança, cintos complementares ou outros dispositivos projetados para impedir que os passageiros sejam deslocados durante curvas, quedas e acelerações.Em determinados modelos, sensores eletrônicos também verificam se as travas estão corretamente posicionadas antes de autorizar a partida. Se uma condição obrigatória não for confirmada, o trem pode permanecer parado na estação.A redundância é um princípio importante nesse tipo de projeto: mecanismos complementares ajudam a reduzir a dependência de um único componente. A configuração, entretanto, varia conforme o modelo da atração, e nem todos os brinquedos utilizam exatamente os mesmos dispositivos.Esses recursos integram uma estrutura de segurança que inclui procedimentos de operação, capacitação dos funcionários, manutenção preventiva e inspeções periódicas.QUAL A CHANCE DE SOFRER UM ACIDENTENTE EM UMA MONTANHA-RUSSA?Embora acidentes graves chamem a atenção, os números divulgados pelo setor indicam que eles são incomuns em relação ao volume de visitantes e de viagens realizadas. A Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações (IAAPA) informa que, em um ano típico, aproximadamente 385 milhões de visitantes realizam mais de 1,7 bilhão de viagens em atrações de cerca de 400 parques da América do Norte.Segundo a entidade, a probabilidade de sofrer um ferimento grave em uma atração fixa nos Estados Unidos é de aproximadamente uma ocorrência a cada 15,5 milhões de viagens. A dimensão desses números ajuda a contextualizar o risco, mas exige cautela: uma estatística geral não determina a segurança de um brinquedo específico, nem permite antecipar as causas de um acidente individual.O CoasterForce, comunidade internacional dedicada às montanhas-russas, costuma destacar que o deslocamento até um parque pode representar um risco maior do que o passeio em si. A comparação procura mostrar como acidentes de trânsito fazem parte de uma exposição cotidiana a riscos, enquanto ocorrências graves em atrações são proporcionalmente menos frequentes.No Reino Unido, comparações estatísticas também são utilizadas para contextualizar o risco de acidentes em brinquedos, inclusive em relação a eventos como ser atingido por um raio. Entretanto, qualquer comparação desse tipo depende do período analisado, da população considerada e da metodologia empregada.No Brasil, parques também adotam procedimentos de inspeção, manutenção e treinamento operacional. As exigências específicas, contudo, variam conforme a atração, a legislação aplicável e as autoridades responsáveis pela fiscalização.PORQUE A SIX FLAGS FECHOU OUTRAS NOVE MONTANHAS-RUSSASHoras após o acidente, a Six Flags anunciou o fechamento preventivo de nove montanhas-russas distribuídas por seis parques nos Estados Unidos. Entre as atrações citadas estavam a Raging Bull, em Illinois, a Nitro, em Nova Jersey, e outra montanha-russa chamada Goliath, localizada na Califórnia. A empresa afirmou que a medida tinha caráter preventivo e estava relacionada à segurança dos visitantes e funcionários.A suspensão de atrações com características semelhantes é uma das formas pelas quais operadores podem verificar se um problema identificado em determinado equipamento também pode estar presente em outras unidades. Isso não significa, por si só, que todos os brinquedos interditados apresentem defeitos.Paralelamente, a investigação do acidente envolve a análise de registros de manutenção, imagens de câmeras, informações dos sensores e histórico operacional da atração. Esses elementos podem ajudar a reconstruir o que aconteceu antes, durante e depois da queda relatada pelas testemunhas. A apuração precisa estabelecer se houve uma falha técnica, um erro operacional, uma condição relacionada ao passageiro ou uma combinação de fatores.O QUE OS PERITOS VÃO INVESTIGAREm acidentes com montanhas-russas, os investigadores examinam diferentes componentes e procedimentos. Entre os pontos que podem ser verificados estão o funcionamento das travas, os registros dos sensores, a integridade dos carrinhos, as condições da pista e o cumprimento das regras de segurança. Também é necessário avaliar a atuação dos operadores e identificar se algum comportamento inesperado contribuiu para a ocorrência.De maneira geral, as hipóteses investigadas podem envolver falhas mecânicas, erros durante a operação ou ações dos próprios passageiros, como tentar sair do assento ou movimentar-se de maneira incompatível com as regras do brinquedo. Essas são possibilidades de investigação, e não conclusões sobre o caso da Goliath.Um dos aspectos mais graves do episódio é o relato de que o visitante teria caído enquanto a atração estava em movimento. Se confirmado, esse detalhe será fundamental para compreender como a queda ocorreu e se algum mecanismo de contenção deixou de cumprir sua função.A Goliath já esteve relacionada a outro episódio fatal em 2006, ano de sua inauguração, quando um homem sofreu um provável ataque cardíaco durante o passeio. Esse antecedente, porém, não estabelece qualquer relação entre aquele caso e o acidente atual.ACIDENTES FATAIS SÃO RAROS, MAS CADA OCORRÊNCIA EXIGE RESPOSTASA percepção de risco pode mudar imediatamente após a divulgação de uma tragédia. Para quem acompanha notícias de acidentes, a ideia de entrar em um brinquedo que alcança mais de 100 km/h pode parecer ainda mais assustadora.Entretanto, a avaliação da segurança depende da análise conjunta de dados, condições operacionais e características de cada equipamento. A raridade dos acidentes não elimina a necessidade de fiscalização rigorosa nem permite tratar qualquer ocorrência como irrelevante.Um estudo publicado na revista científica Safety Science analisou acidentes em parques de diversões de diferentes partes do mundo e identificou 51 eventos fatais relacionados a brinquedos mecânicos no período considerado pela pesquisa. O dado precisa ser interpretado dentro do recorte temporal e dos critérios adotados pelos pesquisadores, não como uma contagem universal de todas as mortes já ocorridas em parques.Os resultados das investigações também podem contribuir para aperfeiçoar os sistemas de segurança. Quando um problema é identificado, fabricantes e operadores podem revisar procedimentos, modificar componentes, atualizar projetos e incorporar novas exigências técnicas.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/965457/homem-morre-apos-cair-de-montanha-russa-nos-eua




